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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Karl Barth e a Doutrina da inspiração Bíblica



Na Doutrina Bíblica da inspiração, o melhor argumento em defesa da inspiração divina das Escrituras Sagradas, ou seja, dos livros canônicos do Antigo e Novo Testamento, é encontrado na própria Bíblia, ex: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”2 Timóteo 3:16 (ARA), o que na Nova Versão Internacional (NVI) lemos: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça”. Diante desse fato, da própria Bíblia se auto-afirmar como inspirada por Deus, os críticos da inspiração bíblica argumentam que tal afirmação pode não ter veracidade por se tratar de um auto-testemunho. Sendo auto-testemunho ou não, tal crítica não a desqualifica (ou invalida) como prova da inspiração divina, ainda mais pela razão de encontrarmos nela outros textos de outras autorias, escritos num contexto e época diferentes, mas com o mesmo sentido, defendendo a mesma doutrina da inspiração divina, ex: 2 Pedro 1:21 que diz “pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (NVI). Verdadeiramente, jamais algum homem conseguiria produzir, sem a intervenção de Deus, algo como os escritos bíblicos, que fala e revela ao ser humano, independente da geração, tudo o que Deus quis revelá-los; além do mais, se fossem as Escrituras de inspiração humana, seus autores não conseguiriam forjar um argumento tão perfeito em defesa da inspiração divina num produto inspirado por si mesmo, haveria imperfeições que o denunciaria como responsável pela origem da Bíblia.

Nome polêmico na Teologia, apesar de ter sido um dos teólogos mais influentes da atualidade, Karl Barth (1886-1968), tratando da inspiração bíblica desenvolveu um conceito um tanto delicado sobre o assunto. Para resumir a sua visão sobre a inspiração bíblica, Barth fez uma distinção entre “inspiração verbal” e “inspiração literal”. A partir deste pressuposto, a Palavra e as ações de Deus nunca podem ser identificadas com palavras humanas ou eventos históricos registrados na Bíblia, mas devem ser transcendentais. A inspiração verbal seria teologicamente irrenunciável, na medida em que a Escritura testemunha a Cristo, o “verbo” divino. A inspiração literal, no entanto, deveria ser rejeitada como tentativa de dar uma garantia miraculosa para o testemunho da Escritura... A Palavra pregada e escrita (a única que ultrapassa o abismo entre Deus e o homem) nada mais faz além do que apontar para a verdadeira revelação divina, a saber, a palavra de Deus em seu sentido absoluto e transcendental... Barth afirmou que reconhecer a autoridade da Escritura é uma questão de confissão, porque “se não estamos para desistir de nossa fé temos que crer no milagre da graça” (CD, I/2, p. 598)... A autoridade da Escritura não é uma possessão em si mesma, nem mesmo uma dádiva outorgada pelo próprio Deus. A Escritura tem autoridade porque o próprio Deus a toma e fala através dela... A palavra de Deus nos confronta na Escritura Sagrada, mas a Escritura não é, no sentido verdadeiro, palavra de Deus – é apenas testemunho dela e aponta para a eterna Palavra de Deus.[1]

Se tal visão Bartiniana sobre a inspiração da Bíblia fosse aceita por TODO seguimento evangélico, piores conseqüências teria o Cristianismo, haja vista o mal que já tem sido notado, como por exemplo:
1) o testemunho cristão colocado em risco, comprometendo a apologética;
2) a fé cristã igualada a mero esoterismo para aqueles que ainda não tiveram um experiência de conversão (obs: conversão ao Senhor Jesus e não a um seguimento cristão denominacional);
3) a ênfase ao encontro subjetivo caracterizado pela frase “quando nos subjugar!” da faceta existencial do seu defeituoso conceito de inspiração.
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[1] Artigo
"Karl Barth: Uma Introdução à Sua Carreira e aos Principais Temas de Sua
Teologia"
de
Franklin Ferreira, extraído de http://monergismo.com/

Um comentário:

Sandro disse...

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