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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Artigo sobre A Inerrância da Bíblia


Ainda hoje ao se discutir a inerrância da Bíblia, muitos infelizmente ainda insistem no vão argumento da historicidade na tentativa de negar a sua inerrância. Um dos argumentos que utilizam é acusá-la (Bíblia) de ser científica, historicamente vaga e imprecisa.

Entretanto, ao analisar os Evangelhos, observamos que nosso Senhor Jesus Cristo não somente aludiu os eventos históricos registrados no Antigo Testamento, como também os autenticou como sendo história efetiva e completamente confiável. Inclusive passagens tidas como controversas, como por exemplo, a narrativa da Criação, a narrativa do Dilúvio e a narrativa dos milagres principais, incluindo Jonas e o peixe (ver Mt 19:3-5; Mc 10:6-8; Mt 24:38-39; Lc 17:26-27; Mt 12:40). Jesus também reconheceu a historicidade de personagens bíblicos como Isaías, Elias, Daniel, Abel, Zacarias, Abiatar, Davi, Moisés e seus escritos, Abraão, Isaque e Jacó (ver Mt 12:17; Mt 17:11-12; Mt 24:15; Mt 23:35; Mt 23:35; Mc 2:26; Mt 22:45; Mt 8:4; Jo 5:46; Mt 8:11 e Jo 8:39).

Os opositores da inerrância da Bíblia também apelam para o fato da não existência dos manuscritos originais, para tentarem justificar sua negação a inerrância da mesma (obs: a doutrina da inerrância, como inspiração, só é baseada nos manuscritos originais, não em quaisquer das cópias). Com base nisso eles alegam ser ilusório, hoje, uma Bíblia inerrante.
No entanto, o fato de não possuirmos os manuscritos originais da Bíblia, não justifica dizer que a inerrância é só uma teoria e, conseqüentemente, uma doutrina não essencial. Essa(s) premissa(s) não prova(m) o falho argumento da inerrância como doutrina não essencial, por mais que tentem utilizar isso.

Alguns opositores chegam também a dizer que em certos detalhes alguns escritores da Bíblia “adaptaram” suas mensagens às idéias falsas ou mitos correntes de sua época, o que não é verdade, pois todos os escritores bíblicos escreveram sob inspiração do Espírito Santo. O que ocorre é que a inerrância da Bíblia basicamente significa que ela conta a verdade, e neste “contar a verdade”, pode-se incluir tanto aproximações, quanto citações livres, linguagens de aparência e relatos do mesmo evento, contados de forma um pouco diferente, mas sem se contradizer. Em razão disso alguns defensores do erracionismo alegam que alguns textos são contradizentes e que seus escritores adaptaram ao seu bel prazer (ou a sua maneira) a mensagem bíblica, ou seja, a mensagem original de Deus.

Como a Bíblia pode ser considerada o padrão da verdade, uma vez que ela está cheia de erros históricos, científicos e gramaticais? Argumentam alguns.
Os que seguem o conceito de “Inspiração Parcial” alegam que podemos encontrar erros em algumas partes da Bíblia sim, exemplo: as porções históricas, que segundo eles não precisam ser inspiradas. Em suma eles ensinam que a Bíblia é inspirada em sua intenção (ex: mostrar aos homens como ser salvo), mas não em seu conteúdo total.
Outros que também alegam que a Bíblia possui partes imprecisas são os Bartianos, discípulos de Karl Barth (1886-1968), pois abraçam conclusões do liberalismo em relação aos Evangelhos, por isso crêem e ensinam que há erros em alguns registros bíblicos.
Semelhante a Doutrina da Encarnação, a Bíblia é um Livro divino-humano. Apesar de ter se originado em Deus, foi escrita por homens. É a Palavra de Deus, dirigida pelo Espírito Santo. Os homens pecadores que escreveram essa Palavra, fizeram sem erros. Da mesma forma que na Encarnação Cristo trazia a humanidade, mas ela não estava de forma alguma estragada pelo pecado, assim também a produção da Bíblia não foi estragada com qualquer erro... Como Cristo ensinou que a Escritura não pode falhar, logo acreditava que ela não continha erro.

Quanto às conseqüências da rejeição da inerrância da Bíblica, podemos citar, dentre tantas outras, o seguinte:
Na área doutrinária, por exemplo, a negação tanto da queda histórica de Adão, quanto das experiências do profeta Jonas e da autoria Mosaica do Pentateuco; explicação diferente dos milagres do Antigo e do Novo Testamento; convicção em mais de um autor para algum (ou alguns) livro(s) da Bíblia, exemplo: o Livro de Isaías; flerte com falsas teologias, exemplo: a teologia da libertação e sua redefinição de pecado e salvação.
Já na área prática podemos citar os erros no estilo de vida, como por exemplo: a visão frouxa tanto da seriedade do adultério, quanto da seriedade da homossexualidade e do divórcio e novo casamento; re-interpretação “cultural” de alguns ensinos da Bíblia (ex: ensino sobre a obediência e civil e ensino sobre as mulheres) e tendência para ver a Bíblia através de uma grade psicológica moderna.

FONTES PESQUISADAS:

- Textos "A Inerrância da Bíblia", "Inerrância e os Ensinamentos de Cristo" e "Passagens Problemáticas" de Charles Ryrie

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Karl Barth e a Doutrina da inspiração Bíblica



Na Doutrina Bíblica da inspiração, o melhor argumento em defesa da inspiração divina das Escrituras Sagradas, ou seja, dos livros canônicos do Antigo e Novo Testamento, é encontrado na própria Bíblia, ex: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”2 Timóteo 3:16 (ARA), o que na Nova Versão Internacional (NVI) lemos: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça”. Diante desse fato, da própria Bíblia se auto-afirmar como inspirada por Deus, os críticos da inspiração bíblica argumentam que tal afirmação pode não ter veracidade por se tratar de um auto-testemunho. Sendo auto-testemunho ou não, tal crítica não a desqualifica (ou invalida) como prova da inspiração divina, ainda mais pela razão de encontrarmos nela outros textos de outras autorias, escritos num contexto e época diferentes, mas com o mesmo sentido, defendendo a mesma doutrina da inspiração divina, ex: 2 Pedro 1:21 que diz “pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (NVI). Verdadeiramente, jamais algum homem conseguiria produzir, sem a intervenção de Deus, algo como os escritos bíblicos, que fala e revela ao ser humano, independente da geração, tudo o que Deus quis revelá-los; além do mais, se fossem as Escrituras de inspiração humana, seus autores não conseguiriam forjar um argumento tão perfeito em defesa da inspiração divina num produto inspirado por si mesmo, haveria imperfeições que o denunciaria como responsável pela origem da Bíblia.

Nome polêmico na Teologia, apesar de ter sido um dos teólogos mais influentes da atualidade, Karl Barth (1886-1968), tratando da inspiração bíblica desenvolveu um conceito um tanto delicado sobre o assunto. Para resumir a sua visão sobre a inspiração bíblica, Barth fez uma distinção entre “inspiração verbal” e “inspiração literal”. A partir deste pressuposto, a Palavra e as ações de Deus nunca podem ser identificadas com palavras humanas ou eventos históricos registrados na Bíblia, mas devem ser transcendentais. A inspiração verbal seria teologicamente irrenunciável, na medida em que a Escritura testemunha a Cristo, o “verbo” divino. A inspiração literal, no entanto, deveria ser rejeitada como tentativa de dar uma garantia miraculosa para o testemunho da Escritura... A Palavra pregada e escrita (a única que ultrapassa o abismo entre Deus e o homem) nada mais faz além do que apontar para a verdadeira revelação divina, a saber, a palavra de Deus em seu sentido absoluto e transcendental... Barth afirmou que reconhecer a autoridade da Escritura é uma questão de confissão, porque “se não estamos para desistir de nossa fé temos que crer no milagre da graça” (CD, I/2, p. 598)... A autoridade da Escritura não é uma possessão em si mesma, nem mesmo uma dádiva outorgada pelo próprio Deus. A Escritura tem autoridade porque o próprio Deus a toma e fala através dela... A palavra de Deus nos confronta na Escritura Sagrada, mas a Escritura não é, no sentido verdadeiro, palavra de Deus – é apenas testemunho dela e aponta para a eterna Palavra de Deus.[1]

Se tal visão Bartiniana sobre a inspiração da Bíblia fosse aceita por TODO seguimento evangélico, piores conseqüências teria o Cristianismo, haja vista o mal que já tem sido notado, como por exemplo:
1) o testemunho cristão colocado em risco, comprometendo a apologética;
2) a fé cristã igualada a mero esoterismo para aqueles que ainda não tiveram um experiência de conversão (obs: conversão ao Senhor Jesus e não a um seguimento cristão denominacional);
3) a ênfase ao encontro subjetivo caracterizado pela frase “quando nos subjugar!” da faceta existencial do seu defeituoso conceito de inspiração.
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[1] Artigo
"Karl Barth: Uma Introdução à Sua Carreira e aos Principais Temas de Sua
Teologia"
de
Franklin Ferreira, extraído de http://monergismo.com/