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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Heresias sobre Jesus - Parte 4



Agostinho (354—430 d.C.), Bispo de Hipona. Um dos
maiores teólogos polemista da idade média.

Heresias x Resposta da Igreja

Em razão de alguma dessas heresias, que na sua grande maioria surgiram nos quatro primeiros séculos do Cristianismo (100 a 313 A.D.), muitos foram os Credos (Declarações de Fé) elaborados pelos líderes da Igreja da época para respondê-las e refutá-las teologicamente, livrando com isso a fé cristã (Cristianismo) dos seus efeitos nocivos. Foi um período caracterizado também por vários Concílios, dos quais os principais foram o de “Nicéia (325) para afirmar a personalidade do Espírito Santo e a humanidade de Cristo, o de Éfeso (431) para enfatizar a unidade da personalidade de Cristo, o de Calcedônia (451) para declarar o relacionamento entre as duas naturezas de Cristo, o de Constantinopla (553) para tratar da disputa monofisista, o de Constantinopla (680) para condenar os monotelitas e o de Nicéia (787) para tratar dos problemas levantados pela controvérsia das imagens. ”, conforme Earle E. Cairns aborda em seu livro 'O Cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã'.
Segue abaixo um breve resumo comentado dos três grandes Credos universais da Igreja, frutos desse período de controvérsias teológicas.

O Credo Apostólico

Na cristologia deste credo, Jesus é apresentado como o único Filho de Deus Pai e Senhor. Diz também que Cristo foi concebido por obra do Espírito Santo, tendo nascido da virgem Maria. Quanto a sua morte, ressurreição e ascensão o credo diz: “padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-poderoso”; abordando desta forma a humilhação e a exaltação de Cristo Jesus. Por fim o credo trata da esperança pela Sua volta afirmando que Ele há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Minha crítica a este credo é que somente Deus Pai é apresentado como criador, ex: “Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do Céu e da terra”.

O Credo de Nicéia (Niceno)

Neste credo, a semelhança do credo Apostólico, Jesus é apresentado como Senhor e unigênito Filho de Deus. Refutando o arianismo o credo, em sua cristologia, diz: “gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas”. Nota-se que ele, na parte em itálico, apresenta Jesus como co-criador junto com as outras pessoas da Trindade.
Sobre a humilhação do Senhor Jesus, por nós e pela nossa salvação, o credo afirma: “... desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras”. Sobre a Sua exaltação afirma que: “... subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai”.
E por último, abordando a esperança da volta do Senhor Jesus, o credo diz: “... e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim.”
Considero-o mais completo que o Credo Apostólico, mas não concordo com a afirmação “feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria”. Em destaque, itálico, o argumento em que discordo.

Credo de Atanásio

Neste credo, que considero o mais completo, lemos que no Filho, assim como no Pai e no Espírito Santo, há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade. O que o Pai e o Espírito Santo é, o mesmo é o Filho. O Filho, assim como o Pai e o Espírito Santo, é não criado. O Filho, assim como o Pai e o Espírito Santo é ilimitado, eterno, onipotente, Deus e Senhor; nem feito de ninguém e nem criado e gerado.
Ao passo que o Espírito Santo procede tanto dEle (Filho) quanto do Pai, Ele (Filho) procede do Pai somente. Assim como há um só Pai e não três Pais, um só Espírito Santo e não três Espírito Santo; há um só Filho e não três Filhos. O credo também afirma ser necessário para a salvação eterna que se creia fielmente na encarnação do Senhor Jesus Cristo, e que fé verdadeira é crer e confessar o Senhor e Salvador Jesus Cristo como Deus e como homem.
Quanto ao estado de humilhação de Cristo o credo diz: “Ele é... homem nascido no tempo da substância da sua mãe. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana. Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa...”
Tratando da exaltação de Cristo o que se pode ler no credo é: “Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos.” Sendo a parte em itálico, junto com: “Em cuja vinda, todo homem ressuscitará com seus corpos, e prestarão conta de sua obras. E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno.”, declarações referentes a Sua volta.
Nota-se claramente neste credo o esforço em se refutar as diversas heresias relacionadas à natureza humana e divina de Jesus, além das relacionadas à Trindade.


FONTES PESQUISADAS:

- O Cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã, Earle E. Cairns –
Edições Vida Nova
- Material de Cristologia elaborado pelo Dr. Cornelius Hegeman, Curso de Mestrado em Ministério (SETEB / NTS)

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