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terça-feira, 27 de julho de 2010

Heresias sobre Jesus - Parte 1

Em toda a História do Cristianismo, muitas foram as heresias relacionadas a Segunda Pessoa da Trindade, ou seja, o Senhor Jesus Cristo. Nesta série nos propomos a apresentar alguns exemplos dessas heresias, descrevendo resumidamente suas doutrinas e concluindo com a nossa refutação bíblica.

Heresias relacionadas à natureza humana de Jesus:

Gnosticismo: ensinava que Cristo, embora parecesse ser homem, nunca assumiu um corpo; portanto, não foi sujeito às fraquezas e às emoções humanas... O Salvador, conforme Saturnino, não nasceu, não teve corpo, nem forma, mas visto em forma humana apenas em aparência.

Docetismo: afirmava que o corpo de Cristo não passava de um fantasma; que seus sofrimentos e morte eram meras aparências. Deste modo pontificavam os apóstolos do docetismo: “Ou Cristo sofria e então não podia ser Deus; ou era verdadeiramente Deus e então não podia sofrer”.

Nestorianismo: deve a sua existência à pessoa de Nestório, bispo em Constantinopla, no período de 428-431. Nestório parece atribuir o seu discipulado a Teodoro de Mopsuéstia que ilustrava a união das duas naturezas de Cristo com a união conjugal de marido e mulher tornado uma só carne sem deixarem de ser duas pessoas e duas naturezas separadas... Ao invés de mesclar as duas naturezas em uma única autoconsciência, eles as situavam lado a lado, sem outra ligação além de mera união moral e simpática entre elas. Na visão deles Jesus seria um hospedeiro de Cristo.

Eutiquianismo ou monofisismo: afirmava que, por ocasião da encarnação, a natureza humana de Cristo foi totalmente absorvida pela natureza divina. Eutiques (410-470) era de opinião de que os atributos humanos em Cristo haviam sido assimilados pelo divino, pelo que seu corpo não seria consubstancial como o nosso, que Cristo não seria humano no sentido restrito da palavra.... Dizia então que Cristo, depois de se tornar homem, tinha apenas uma natureza, daí a razão de ser chamado também de monofisismo.

Apolinarismo: acreditava que Cristo tinha apenas uma natureza e uma hipótese. Essa natureza é a do Logos que em Cristo foi transmutada em carne. Esta, por sua vez, assumiu a qualidade divina ao mesmo tempo. Apolinário (310-390) combatia vigorosamente a idéia segundo a qual os elementos divino e humano se combinam em Cristo, que o Logos simplesmente se revestiu da natureza humana e ligou-se a ela de modo espiritual... Cristo, segundo Apolinário, não possuía alma humana/espírito... Na sua doutrina ele substituía o pneuma (espírito) humano pelo Logos, pois o julgava sede do pecado.

Refutação bíblica:

São vários os argumentos bíblicos à defesa da doutrina da humanidade de Jesus, argumentos esses que são válidos a cada uma das cinco heresias apresentadas.
Vejamos por exemplo Gl 3:16 “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” que é o cumprimento de Gn 3:15 quando Deus fala da promessa do descendente da mulher (semente). Os outros textos que podemos utilizar falam: (a) das suas tentações a nossa semelhança (Hb 5:14); (b) do seu sofrimento físico (Sl 22), mas especificamente do martírio na cruz; (c) da sua ressurreição física e corpórea (Mt 28; Mc 16; Lc 24 e Jo 21); (d) das promessa tanto do seu nascimento humano (Is 9:6) quanto do seu retorno físico (At 1:11). Além dessas podemos utilizar também as relacionadas à sua vida socio-familiar, ex: enteado (Mc 6:3), menino (Lc 2:40), filho de José (Mc 6:3) e de Maria (Lc 2:7), irmão (Mc 6:3); bem como também as relacionadas ao seu status sócio-político, ex: pobre (Mt 19:21), nazareno (Lc 4:16), israelita (Mt 1:1), Rei dos Judeus (Lc 23:38) e aos seus atributos humanos, ex: tristeza (Is 53:3), sabedoria (Lc 2:40), personalidade (Mc 6:3), ira (Jo 2:16), consciência (Mt 5:17), intelecto (Lc 2:47), paixão (Jo 2:17), capacidade de chorar (Jo 11:35), de questionar (Lc 2:49), de conhecer (Mt 7:28) e de raciocinar (Lc 2:49).

FONTES PESQUISADAS:

- Teologia Básica ao Alcance de Todos, Charles C. Ryrie - Editora Mundo Cristão
- Artigo “Cristologia A Doutrina de Cristo” extraído de http://www.soartigos.com/articles/1840/1/Cristologia/Invalid-Language-Variable1.html
- Artigo “Heresias Primitivas” extraído de http://www.icp.com.br/51materia3.asp
- O Cristianismo Através dos Séculos: Uma História da Igreja Cristã - Earle E. Cairns, Edições Vida Nova

terça-feira, 6 de julho de 2010

Casamento em conflitos, desistir jamais.

Enfrentando crises no casamento sem pensar em desistir
Rev. Hernandes Dias Lopes

Não há casamento sem problemas. Todo casamento exige renúncia e adaptação. Nenhum casamento sobrevive sem perdão e restauração Hoje falamos repetidamente que família é o nosso problema número um.

A família tem sido atacada vigorosamente pelas perigosas filosofias pós-modernas. Os fundamentos têm sido destruídos (Salmo 11.3). Estamos vivendo no meio da era pós-moderna, onde os valores absolutos das Escrituras não estão sendo observados, mas repudiados.

O que temos hoje não é apenas um comportamento imoral, mas a perda de critérios morais. Estamos enfrentando não apenas um colapso moral, mas um colapso de significado. Não há absolutos.

Gene Edward Veith ainda afirma que, se não há absolutos, se a verdade é relativa, então não pode existir estabilidade, conseqüentemente, a vida perde o sentido.

O inevitável resultado do relativismo deste tempo é a falência dos valores morais, a fraqueza da família e com o aumento espantoso da infidelidade conjugal. Valores relativos acompanham o relativismo da verdade.

Em 1969, bem no meio da "revolução sexual", 68% dos americanos acreditavam que relação sexual antes do casamento era errado. Em 1987, mesmo a despeito do surto da AIDS, somente 46% acreditavam que o sexo antes do casamento era errado.

Em 1992, somente 33% rejeitavam o sexo premarital. 7 Infidelidade conjugal tem sido uma marca da sociedade contemporânea. Segundo algumas estimativas, 50 a 65% dos maridos e 45 a 55% das esposas têm sido infiéis até os 40 anos.

Outros identificam que 26 a 70% das mulheres casadas e 33 a 75% dos homens casados têm se envolvido em casos extraconjugais, que têm sido não apenas comuns, mas altamente destrutivos.

Divórcio tem sido estimulado como solução. Comentaristas sociais são notórios em afirmar que metade dos casamentos nos Estados Unidos terminam em divórcio.

Contudo, divórcio não é uma sábia solução para casamentos em crise, mas um sério agravante, um outro problema que na maioria das vezes, traz profundo sofrimento e frustração. A psicóloga Diane Medved, diz que os casais estão chegando à conclusão que o divórcio é mais danoso do que enfrentar as crises juntos.

As conseqüências e as seqüelas do divórcio são devastadoras a curto, a médio e a longo prazo. Há muitos casais e filhos arrebentados emocionalmente pelo divórcio. A presença de casamentos em crise, casamentos quebrados e até mesmo do divórcio está aumentando não apenas entre os não cristãos, mas também dentro das comunidades evangélicas.

As pessoas divorciadas estão flutuando dentro das comunidades evangélicas. Há, também, muitos líderes religiosos enfrentando divórcio. Isso é uma realidade que não pode ser negada. Contudo, à luz das Escrituras, o divórcio não é a solução divina para a crise do casamento. Não é sensato fugir do problema em vez de enfrentá-lo. De fato não existe casamento perfeito. Não há casamento sem problemas. Todo casamento exige renúncia e adaptação. Nenhum casamento sobrevive sem perdão e restauração. Muitas pessoas hoje estão discutindo e procurando divorciar antes de entender o que as Escrituras ensinam sobre casamento.

Casamento não é uma união experimental. A aliança conjugal não termina quando as crises chegam. Só há duas cláusulas de exceção para o divórcio nas Escrituras: a infidelidade conjugal (Mateus 19.9) e o abandono (1 Coríntios 7.15). Divórcio por quaisquer outros motivos e novo casamento constitui-se em adultério (Mateus 5.32).

Gênesis 2.18-24 revela que o casamento nasceu no coração de Deus quando não havia ainda legisladores, nem leis, nem Estado, nem igreja. Casamento é um dom de Deus para o homem e a mulher.

Deus não apenas criou o casamento, mas também o abençoou (Gênesis 1.28). Qualquer esforço de atentar contra os princípios estabelecidos para o casamento conspira contra Deus, que o instituiu. Por isso, Ele odeia o divórcio (Malaquias 2.14).

Como, então, enfrentar crises no casamento sem pensar em desistir?

Reconhecendo que o casamento não é uma invenção humana, mas uma instituição divina. O casamento não é um expediente humano. O próprio Deus estabeleceu, instituiu e ordenou desde o início da história humana.

Reconhecendo a natureza do casamento. Quando Jesus foi questionado pelos fariseus sobre o divórcio (Mateus 19.3-4), Ele não o discutiu antes de falar sobre a natureza do casamento, de acordo com os princípios estabelecidos na própria criação (Mateus 19.4-8).

De acordo com o padrão absoluto de Deus, estabelecido na criação, o casamento em primeiro lugar é HETEROSSEXUAL (Gênesis 1.27). União homossexual é abominação para Deus (Levítico 18.22; Romanos 1.24-28).

Em segundo lugar, o casamento é MONOGÂMICO (Gênesis 2.24).

Em terceiro lugar, o casamento é MONOSSOMÁTICO (Gênesis 2.24). João Calvino disse que a união do casamento é mais sagrada e mais profunda do que a união que liga os filhos aos pais. Nada senão a morte pode separá-los.

Em quarto lugar, o casamento é INDISSOLÚVEL (1 Coríntios 7.3). Jesus afirmou que marido e mulher não são mais dois, mas uma só carne e o que Deus uniu o homem não pode separar (Mateus 19.6).

Divórcio, portanto, é uma rebelião contra Deus e os seus princípios.

Em quinto lugar, o casamento não é compulsório. O celibato é um dom de Deus, não uma imposição (I Coríntios 7.32-35). Embora a razão do casamento seja para resolver o problema da solidão, Deus chamou alguns para serem uma exceção à sua própria norma (Gênesis 2.18,24; Mateus 19.11-12; 1 Coríntios 7.7).

Reconhecendo que em Deus podemos superar as crises do casamento se azedar o coração Jesus disse para os fariseus que o divórcio nunca foi uma ordenança divina, mas uma permissão, e isso, por causa da dureza dos corações (Mateus 19.7-8). O divórcio ocorre porque os corações estão endurecidos. Dureza de coração é a indisposição de obedecer a Palavra de Deus. É a indisposição de perdoar, restaurar e recomeçar o relacionamento conjugal de acordo com os princípios de Deus. De acordo com Jesus, o divórcio jamais é compulsório, onde existe espaço para o perdão. Divórcio é conseqüência do pecado, não uma expressão da vontade de Deus. Perdão e restauração são melhores que o divórcio. Divórcio não é compulsório nem em caso de adultério. Restauração é sempre o melhor. Concluindo, ressaltamos que a igreja precisa dar ênfase à famílias fortes. Casamentos estáveis resultam em famílias, igrejas e sociedade saudáveis.

A solução para o casamento e para a família não está nos modelos falidos da sociedade pós-moderna, mas na eterna e infalível Palavra de Deus. O mesmo Deus que instituiu o casamento tem a solução para os casamentos em crise. Somente Deus pode curar relações quebradas, trazendo esperança onde os sonhos já morreram; trazendo vida, onde as sombras da morte já escurecem os horizontes; trazendo cura e restauração, onde as feridas estão cada vez mais doloridas. O grande desafio para a igreja e a sociedade contemporânea é retornar para Deus e obedecer aos seus mandamentos. O mesmo Deus que criou o casamento tem solução para ele. Deus é o criador, sustentador e restaurador do casamento. Quando ele reina no casamento, o divórcio não tem espaço

Fonte: Revista Lar Cristão
Rev. Hernandes Dias Lopes - Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória - ES. Cursando Doutorado em Ministério no "Reformed Theological Seminary" em Jackson, Mississippi, EUA.